quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

_planeta cor de azedo.

Momentos.
O que são eles, se não lapsos de tempo agitado perdidos em segundos vazios?
Encosto minha nuca contra a parede branca gelada. Acendo um cigarro, pressiono o pé direito contra o concreto vertical e sufoco umas das minhas mãos no bolso. E assim penso. Penso no todo que é certo, no todo que é torto, no todo que é só ilusão. No todo que é só medo.
O medo existe. Fato. E circula tanto no meu sangue quanto no teu. O medo é latente, metafórico, concreto, bipolar. O medo é pesado, denso, mas voa com o vento, pensamentos. Eu penso.
Talvez ele seja o grande fio que mantém a humanidade em certa unidade. Mais do que a felicidade, a tristeza, a fome ou o sexo. É ele a grande aliança, a ovelha negra, o mal quisto, o que se fecha as portas e se lacra as janelas.
Como que por impulso, ou instinto de pura sobrevivência, decidi vivê-lo e não renegá-lo. Decidi dizer sim ao invés do castrador não. Escolhi o medo, como quem escolhe um doce picolé de uva, e permiti me lambusar desse azedo sabor.

Seja bem-vindo ao planeta medo.

5 comentários:

]Laris[ disse...

é tudo isso de lindo e muito mais!


teamo.

Mr. G disse...

incrivel!!

abracemos o medo!! abs!

Por De Trás Do Abstrato disse...

Sabe
eu tenho medo do medo
sempre digo
que o importante é a gente respeitar as coisas e as pessoas
porque se voce tem medode algo, pode derrepente surgir a vontade de eliminar essa coisa
acabar com ela pra sempre,pra que vc nao tenha mais medo...
e isso pode ser ruim...
Gostei daqui
Ta nos favoritos
Abraço

Ana Laura Albornoz disse...

tenhamos medo...até a Regina Duarte o tem! hehe
I love your talent.

bjss

Ricardo disse...

De perdas entendo e minha alma o sabe
Da impotência de ver o sonho ruir, também.
Dispi-me de todo preconceito, fui só verdade
Joguei fora medos, amei sem reservas fui além
Chorei em silêncio, alma ferida de morte
Palavras ultrapassam limites, flutuam amenas
A falta de você me rouba o ar, perco o norte
Mesclas de sentimentos, que não viram poemas
estico frases como se assim visse, assimilasse
O que ainda esta aqui, camuflado, escondido
Esse sentir dentro dos silêncios meio perdido
E qual nuvem que o menos vento se desfizesse
Hoje vai ser assim, calo o lamento e meus ais
A música é o silêncio, a quietude, nada mais.